segunda-feira

1543

vou voltar, preciso disto mais que nunca

sábado

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Eu não sou medrosa, acho eu. Perguntaram -me do que eu tinha medo, perguntam-me sempre isso. A minha resposta sempre foi a mesma: tenho medo de perder minha mãe, meus familiares, as pessoas que eu amo. Porque, essa é a verdade toda, nunca tive medo de ficar sozinha, de acordar no meio da noite e caminhar pela casa escura. Sempre gostei de um lugar mais calmo. Do escuro eu sei que não tenho medo. Fico assustada com pesadelos que parecem reais e que me acordam no meio da noite. Tenho pavor de crocodilos ou de qualquer bicho que habite de baixo de água. Mas, medo? Medo eu tenho é de me perder e nunca mais me encontrar. Medo de acordar e ver que as coisas viraram de cabeça para baixo sem que eu possa reorganiza-las. Tenho medo das pessoas que fingem que amam, que gostam e no outro dia já dizem que tanto faz e desapegam como se fosse aquela t-shirt que saiu da moda. Ah, tenho medo de trovões e relâmpagos, pareço uma criança assustada a vender um filme de terror quando tudo começa a trovejar. Tenho medo de pessoas que desejam mal aos outros, que esquecem de amar e de perdoar. Tenho medo de esquecer aquelas lembranças de infância que me fizeram feliz. Tenho medo de acabar sem ninguém. Tenho medo de coisas barulhentas e de silêncio prolongado demais. Tenho medo de ferir alguém com alguma palavra e por descuido esquecer de pedir desculpa. Tenho medo de ir, correr demais e não saber voltar. Tenho medo de percorrer a estrada da vida sozinha, numa noite nublada e sombria. Eu tenho medo das coisas que acabam rápido demais, dos pensamentos nebulosos das pessoas. Mas, o que eu mais tenho medo, é das coisas que calam, somem e mudam para sempre.

segunda-feira

2022

Prometi que iria continuar a ser forte. Que não me iria preocupar, que esta angustia que eu estou a sentir vai passar, que a saudade vai acabar. Eu sei que agora parece que o mundo conspira todo contra mim, mas ele gira e num giro desses tudo pode mudar. Então eu não vou desistir, vou sorrir.  Eu sou mais forte do que penso e serei mais feliz do que imagino. O medo, a decepção, a tristeza, a raiva são só sentimentos, são só momentos e momentos chegam ao fim. E isto chegará também. Não há como encontrar a felicidade sem passar pela tristeza. Não é hora de me deixar abalar.

2002

"É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios. É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar. É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração. É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor. É fácil sentir o amor, difícil é conter sua torrente."    

Fernando Pessoa

1950

no outro dia alguém me disse que: Um dia eu vou encontrar uma pessoa que prefira me ouvir, do que fugir. Que eu vou encontrar alguém que saiba de cor, os meus gostos musicais e estruturais. Que um dia irei achar quem me aceite assim, com o meu estranho jeito de me divertir. Que vou encontrar alguém que queira saber qual é o perfume que uso para sair. Que um dia irei achar alguém que apesar de não ser clichê, vai dizer que daria o mundo por mim.


1944

Eu gostava muito de ti. Era tão bonito, era tão intenso. Acreditava no para sempre. Imaginei uma casa, uma família, uma coisa só nossa. Um esconderijo, um refúgio, um paraíso. Cada vez que eu pensava em ti dava-me um calorzinho no peito. Cada vez que te abraçava o mundo parava de rodar por um segundo. E eu achava que aquilo era amor, achava que aquilo era o certo, achava que nós éramos certos um na vida do outro. Mas não foi. Não fui. Não fomos. Não somos.